Coleções Clínicas - Cardiologia Intervencionista
 

Nefropatia induzida por contraste – Metanálise comparando contraste isosmolar a contrastes de baixa osmolaridade

Autor: Dr. Augusto Celso A. Lopes Jr.

Revisado: Prof. Dr. Expedito E. Ribeiro

Referência: From AM, et al. Iodixanol versus low-osmolar contrast media for prevention of contrast induced nephropathy. Circ Cardiovasc Interv. 2010 Aug;3(4):351-8.

Resumo: Esta metanálise avaliou a eficácia do iodixanol (contraste isosmolar - CI) comparado a contrastes de baixa osmolaridade (CB) na prevenção da nefropatia induzida por contraste (NIC). Foram incluídos 36 estudos e 7.166 pacientes. Houve uma tendência de menor incidência de NIC nos pacientes que receberam iodixanol, mas sem significância estatística, quando comparados aos que receberam CB. Não houve benefício nos subgrupos de pacientes com injeção intra-arterial, naqueles submetidos a coronariografia ou angioplastia, nos diabéticos ou com insuficiência renal prévia.

Metodologia: Trata-se de uma metanálise que incluiu estudos randomizados que compararam CI contra CB quanto à incidência de NIC. Não houve restrição quanto à definição de NIC. Foram analisados vários subgrupos de pacientes quanto aos tipos de contrastes utilizados, bem como quanto ao tipo de estudo angiográfico. Também foram avaliadas se as características clínicas diabetes e presença de insuficiência renal prévia seriam preditores de NIC de acordo com o tipo de contraste.

Resultados: Foram incluídos 36 estudos e 7.166 pacientes, sendo que 3.672 pacientes receberam iodixanol e 3.494 pacientes receberam CB. Entre os pacientes que receberam CI, 74% eram homens e 48% eram diabéticos, enquanto que nos que receberam CB, 73% eram homens e 46% eram diabéticos. Houve uma tendência de menor incidência de NIC nos pacientes que receberam CI, mas sem significância estatística (OR 0,77; IC 95% 0,56 – 1,09, p=0,11). A análise de subgrupos revelou um benefício do iodixanol quando comparado ao iohexol (OR 0,25 IC 95% 0,11 – 0,55, p<0,001), mas isso não se confirmou quando o CI foi comparado aos outros tipos de CB. Não houve benefício nos subgrupos de pacientes com injeção intra-arterial, submetidos a coronariografia ou angioplastia, nem em relação à presença de diabetes ou insuficiência renal prévia.

Conclusão: Os resultados dessa metanálise sugerem uma tendência à redução da NIC associada ao uso de iodixanol, quando comparado aos CB, sendo esta estatisticamente significante apenas para o iohexol.

Perspectiva: Devido à associação entre NIC e maior morbimortalidade após exames contrastados, inúmeras estratégias para diminuir sua incidência tem sido estudadas. O uso de CB consiste em uma delas. O iodixanol possui a menor osmolaridade disponível, sendo similar à plasmática (290 mOsm/Kg H2O). Essa metanálise demonstrou uma redução, não estatisticamente significativa, da incidência de NIC após o uso de iodixanol quando comparado aos CB. Os pacientes com mais alto risco para NIC, que são os diabéticos e aqueles com insuficiência renal prévia, também não apresentaram benefício. O contraste isosmolar talvez tenha um benefício adicional nos pacientes em que, além da questão da NIC, o volume de contraste possa ser um problema, como em pacientes pediátricos e em adultos com congestão pulmonar nos quais o exame não pode ser adiado para melhor compensação clínica. Nesse sentido, não podemos até o momento recomendar o uso rotineiro do contraste isosmolar (iodixanol). Para tentar evitar o risco de NIC, ainda ficam as recomendações de minimizar ao máximo o volume de contraste utilizado, bem como realizar hidratação adequada antes dos procedimentos.

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