Coleções Clínicas - Cardiologia Geral
 

Efeito do sedentarismo sobre as principais doenças não-infecciosas no mundo: uma análise do peso da doença e da expectativa de vida

Autora: Dra. Monica Ávila

Referência: I-Min Lee, Eric J Shiroma, Felipe Lobelo, Pekka Puska, Steven N Blair, Peter T Katzmarzyk, for the Lancet Physical Activity Series Working Group. Effect of physical inactivity on major non-communicable diseases worldwide: an analysis of burden of disease and life expectancy. Lancet 2012; 380: 219–29.

Resumo: Este estudo avaliou o efeito do sedentarismo em doenças não transmissíveis (doença arterial coronária, diabetes tipo II, câncer de cólon e de mama), estimando o quanto dessas doenças poderiam ser evitadas se os indivíduos sedentários passassem a ser ativos, além de avaliar o ganho da expectativa de vida com essa medida. Concluiu que a atividade física leva a uma melhora importante na saúde dos indivíduos e que a sua implementação deveria ser uma questão de saúde pública.

Métodos: Foi utilizada uma medida epidemiológica, a fração atribuída à população (ARF), para estimar o efeito do fator de risco (sedentarismo) na incidência de uma doença (doença arterial coronariana, diabetes tipo 2 e câncer de cólon e mama e óbito) em uma população. Essa medida está relacionada o risco relativo (RR).
O sedentarismo foi definido através dos critérios de atividades propostos pela Organização Mundial de Saúde (abaixo).
Para estimar a prevalência do sedentarismo, foram analisadas varias coortes no mundo. Em cada coorte, foi obtida a prevalência da inatividade nos participantes nas suas características de base e naqueles que desenvolveram a doença arterial coronariana, diabetes tipo 2 e câncer de cólon e mama e naqueles que foram a óbito.

Resultados: No mundo, foi estimado que o sedentarismo é responsável por 6% (variando de 3,2% no sudeste as Ásia a 7,8% no Mediterrâneo) da doença arterial coronária, 7% (3,9 a 9,6%) de diabetes tipo 2, 10% (5,6 a 14,1%) de câncer de mama e 10% (5,7 a 13,8% de câncer de cólon. Além disso, a inatividade causa 9% de mortalidade prematura.
A tabela abaixo resume os riscos relativos associados ao sedentarismo, com e sem fatores de confusão ajustados, para os resultados estudados. O estudo demonstra também os dados para Brasil.




Riscos relativos calculados através das ARF dos desfechos associados aos sedentarismo no Brasil.


Se o sedentarismo diminuir 10 ou 25%, mais de 533.000 e mais de 1.300.000 mortes podem ser evitados, respectivamente, a cada ano. A remoção do sedentarismo teria o maior efeito no câncer de cólon e o menos na doença coronária.

O estudo estimou que a eliminação da inatividade física pode aumentar a expectativa de vida em 0,68 anos (0,41 a 0,95).

Conclusão e Perspectiva: o estudo demonstrou que o sedentarismo pode causar de 6 a 10% das principais doenças não transmissíveis, além de causar 9% das mortes prematuras (5,3 das 57 milhões de mortes em 2008). Esses achados apontam o sedentarismo como um fator de risco semelhante ao tabagismo e a obesidade. Estimou-se que o tabagismo foi responsável por 5 milhões de mortes em 2000, com uma aumento da expectativa de vida aumentada em 1,1 a 2,2 anos com a eliminação do fumo. Com a eliminação obesidade a expectativa de vida aumenta em 0,7 a 1,1 anos. Esses dados só enfatizam a importância de medidas de saúde pública para aumentar a atividade física praticada pela população. Se uma pequena parcela da população for estimulada e iniciar uma vida mais ativa, por exemplo, com 15 a 30 minutos de caminhada por dia, muitos benefícios, inclusive o aumento da sobrevida, poderão ocorrer.

Critérios de atividades propostos pela Organização Mundial de Saúde,

Crianças entre 5 e 17 anos
Adultos entre 18 e 64 anos

Acima de 65 anos
Crianças e jovens com idades entre 5-17 deve acumular pelo menos 60 minutos de atividade diária com intensidade moderada a vigorosa.

Quantidades de atividade física maior do que 60 minutos podem fornecer benefícios adicionais de saúde.

A maioria da atividade física diária deve ser aeróbica. Atividades com intensidade vigorosa devem ser incorporadas, incluindo aquelas que fortalecem a musculatura e os ossos, pelo menos 3 vezes por semana.
Adultos com idade entre 18-64 anos deve fazer pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica intensidade moderada durante a semana ou fazer pelo menos 75 minutos de atividade vigorosa durante a semana ou uma combinação equivalente entre a atividade moderada e vigorosa.

Atividade aeróbica deve ser realizada em sessões de pelo menos 10 minutos de duração.

Para benefícios adicionais de saúde, os adultos devem aumentar a sua atividade moderada para 300 minutos por semana, ou realizar uma atividade intensa com duração de em 150 minutos por semana, uma combinação equivalente entre a atividade moderada e vigorosa.

Atividades de fortalecimento da musculatura deve ser feito envolvendo grupos musculares maiores em 2 ou mais dias por semana.
Os idosos devem fazer pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica intensidade moderada durante a semana ou fazer pelo menos 75 minutos de atividade vigorosa durante a semana ou uma combinação equivalente entre a atividade moderada e vigorosa.

Atividade aeróbica deve ser realizada em sessões de pelo menos 10 minutos de duração.

Para benefícios adicionais de saúde, os adultos devem aumentar a sua atividade moderada para 300 minutos por semana, ou realizar uma atividade intensa com duração de em 150 minutos por semana, uma combinação equivalente entre a atividade moderada e vigorosa.

Idosos com pouca mobilidade, devem realizar atividade física para melhorar o equilíbrio e evitar quedas, em 3 ou mais dias por semana.

Atividades de fortalecimento da musculatura deve ser feito envolvendo grupos musculares maiores em 2 ou mais dias por semana.

Quando não for recomendado a realização de atividade física por motivo de saúde, eles devem ser tão fisicamente ativos quanto as suas capacidades e as condições permitirem.

http://www.who.int/dietphysicalactivity/factsheet_olderadults/en/index.html

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