Coleções Clínicas - Doença Arterial Coronária / Prevenção
 

Análise de custo-efetividade do evolocumabe em pacientes com doença aterosclerótica.

Autor: Dr. Bruno Paolino

Referência: Fonarow GC, et al. Cost-effectiveness of Evolocumab Therapy for Reducing Cardiovascular Events in Patients with Atheroscletotic Cardiovascular Disease. J Am Med Assoc Cardiol 2017 doi:10.1001/jamacardio.2017.276

Apesar de todos os avanços no tratamento da doença cardiovascular aterosclerótica nas últimas décadas, incluindo a terapia com estatinas, um risco residual significativo ainda se mantem para os pacientes com a afecção, com grande perda de qualidade de vida e de custos do tratamento. O evolocumabe, um inibidor da PCSK9, é capaz de reduzir em 60% os níveis de LDL colesterol e o ensaio clínico FOURIER demonstrou que a adição do evolocumabe é capaz de reduzir, em pacientes com doença aterosclerótica estabelecida em altas doses de estatinas, o risco de novos eventos cardiovasculares. Porém, a custo-efetividade do novo tratamento ainda não havia sido analisada.

A fim de predizer a taxa de eventos, cardiovasculares ou não, o modelo de transição de Markov foi utilizado em uma população com mais de 18 anos, doença cardiovascular aterosclerótica conhecida e colesterolemia LDL maior que 70mg/dL em dose otimizada de estatinas selecionada de levantamentos públicos norte-americanos (NHANES). Bancos de dados de seguros saúde privados, da seguro saúde público (Medicare), do NHANES e de outros levantamentos norte-americanos foram usados para estimar as taxas de mortes e de eventos cardiovasculares e, neste cenário, foi inseridos os dados de redução de risco relativo do estudo FOURIER. Os valores anuais do tratamento com evolocumabe de USD 14.523,00 sem desconto e de USD 10.311,00 com o desconto médio de 29% dado pelas farmácias foram conseguidos através de analises de mercado nos EUA. Foram calculados o tempo de vida em anos ajustados pela qualidade (QALY – Quality-adjusted life-years) na população de ambos os tratamentos, o tempo de vida incremental com o evolocumabe, também em QALY, e o valor pago por QALY adicional (ICER – Incremental cost-effectiveness ratio). Foi considerado como limiar de custo-efetividade um ICER de USD 150.000,00/QALY. Além do cenário proposto, também foi avaliado os mesmos dados na população do estudo FOURIER.

A taxa de eventos na população analisada foi de 6,4%/ano, levando a um tempo de vida de 7,23 QALY e um custo do tratamento de USD 234.877,00/paciente quando tratado com a terapia padrão. Incluindo os dados de eficácia do estudo FOURIER, o tempo de vida subiu para 7,62 QALY e custo do tratamento para USD 340.275,00/paciente com a adição de evolocumabe. Dessa forma, o incremento foi de 0,39 QALY no tempo de vida e USD 105.398,00 nos custos do tratamento com a adição de evolocumabe à terapia padrão. Comparado à terapia padrão, a adição do evolocumabe em preço anual cheio (USD 14.523,00) resulta em um ICER de USD 268.637,00/QALY ganho. Se o preço com desconto for usado, (USD 10.311,00), o ICER será de USD 165.689,00/QALY ganho. Para atingir o valor limite de USD 150.000,00/QALY ganho, o custo anual da medicação teria de ser de USD 9.669,00. Para os participantes do estudo FOURIER, que tiveram uma taxa de eventos de 4,2%/ano, o ICER foi de USD 413.579,00/QALY ganho e o valor anual deveria ser de USD 6.780,00 para atingir o limiar de custo-efetividade mundialmente aceito.

Portanto, em todos os cenários vistos, a adição de evolocumabe aumenta o tempo de vida na populações estudadas, mas sob um custo muito alto, maior que o limiar de gastos aceito pela maioria dos sistemas de saúde públicos ou privados do mundo, que é o aumento de até USD 150.000,00 no custo por 1 ano de vida do paciente ajustado pela qualidade. Desta forma, a custo-efetividade desta medicação continua questionada nos EUA, primeiro mercado a ter esta análise. No Brasil, o cenário não deve ser diferente, apesar de não haver esse dado concreto. Possivelmente, a análise leva a crer que somente populações de risco ainda maior que a estudada, com uma taxa de eventos ainda mais alta que as apresentadas neste estudo, possam ter o novo tratamento como custo-efetivo. Outra possibilidade é o preço da medicação cair, o que pode ocorrer após anos de comercialização da droga.



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