Coleções Clínicas - Hipertensão Arterial
 

Resposta pressórica ao exercício está associada à função vascular alterada e aos fatores de risco cardiovasculares

Autor: Dr. Bruno Paolino

Referência: Thanassoulis, G. et al. Relations of Exercise Blood Pressure Response to Cardiovascular Risk Factors and Vascular Function in the Framingham Heart Study. Circulation 2012;125:2836-43.

Resumo: Um estudo utilizando participantes da segunda geração da coorte de Framingham demonstrou que a resposta pressórica ao exercício físico exacerbada está associada a rigidez da parede arterial, função vascular alterada, além de vários fatores de risco cardiovasculares, como a idade, tabagismo, obesidade e dislipidemia. Estes dados sugerem que a função vascular e a resposta pressórica alteradas contribuem para sobrecarga cardiovascular e para o aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Introdução: Em pacientes sem doença cardíaca estabelecida, a resposta pressórica exacerbada associada ao exercício é associada à incidência de hipertensão (HAS), AVC, infarto agudo do miocárdio e morte cardiovascular. Ao contrário da pressão de pico no exercício, que é altamente relacionada ao grau de atividade física, a resposta pressórica exacerbada durante o exercício submáximo tem relação com a pressão arterial (PA) média diária e à lesão de órgão-alvo, particularmente hipertrofia ventricular esquerda (HVE). Neste sentido, a correlação dos aspectos clínicos e vasculares relacionados à PA no exercício pode dar inidícios de mecanismos para o desenvolvimento da hipertensão, da hipertrofia ventricular e da doença cardiovascular. No entanto, ainda são obscuros os determinantes da resposta pressórica ao exercício em pacientes ambulatoriais.

Objetivos: Avaliar a relação da resposta pressórica ao exercício submáximo com os fatores de risco cardiovasculares e com a função endotelial vascular.

Métodos: Foram incluídos neste estudo os participantes da segunda geração do estudo de Framingham, que são os filhos, ou cônjuges dos filhos do estudo original, observados a partir de 1971 e avaliados a cada 4 a 6 anos. Os participantes desta análise foram submetidos ao teste ergométrico entre 1998 e 2001 e completaram pelo menos 2 estágios do protocolo de Bruce no sétimo ciclo de avaliação. Além do teste ergométrico, os indivíduos foram submetidos a análise antropométrica, entrevista e exames laboratoriais para a obtenção dos fatores de risco clínicos. Foram submentidos também a tonometria das artérias carótidas, braquiais, radiais e femorais para a avaliação da velocidade e morfologia da onda de pulso, e à ultrassonografia da artéria braquial após isquemia do antebraço por 5 minutos para a verificação da dilatação mediada por fluxo. Os dados obtidos foram correlacionados com as pressões sistólica e diastólica no teste ergométrico submáximo.

Resultados: A idade média dos participantes foi de 59±9 anos e 53% deles eram do sexo feminino. As médias da PA e da freqüência cardíaca (FC) no segundo estágio do protocolo de Bruce foram, respectivamente, 166±25 x 75±15mmHg e 127±19bpm. Na análise multivariável de regressão linear, as respostas pressóricas sistólica e diastólica ao exercício tiveram correlação positiva com idade, PA e FC de repouso, tabagismo, índice de massa corporal e com a relação colesterol total/HDL-colesterol (p<0,01 para todos os fatores). Quando observada particularmente a resposta pressórica sistólica, houve associação positiva com a velocidade da onda de pulso (p=0,02), pressão central de pulso (p<0,0001), PA média (p=0,04) e fluxo braquial de base (p=0,002), além de relação negativa com a dilatação mediada por fluxo (p<0,0001). Quando observada a resposta pressórica diastólica, houve associação positiva com a amplitude de da onda de pulso (p<0,0001) e com a pressão arterial média (p<0,0001).

Conclusão: A resposta pressórica ao exercício submáximo exacerbada tem correlação com a rigidez da parede arterial e com a disfunção endotelial em pacientes sadios, sem doença cardiovascular conhecida.

Perspectivas: Neste estudo com mais de 2100 indivíduos saudáveis da comunidade, foi evidenciada uma associação robusta da resposta pressórica ao exercício submáximo com fatores de risco tradicionais para doença cardiovascular e, principalmente, com grau de resistência da parede arterial e de disfunção endotelial. Esta associação tem uma relevância muito grande para o entendimento dos mecanismos associados ao desenvolvimento da doença cardiovascular, pois o exercício submáximo observado no teste ergométrico consegue reproduzir o comportamento cotidiano de um paciente com a PA de repouso dentro da normalidade. Provavelmente, esta resposta pressórica exacerbada ocorre diversas vezes durante todos os dias e pode ser explicada tanto pela maior rigidez arterial quanto pela menor capacidade de vasodilatação. O desenvolvimento da HVE e a maior incidência de eventos cardiovasculares nestes pacientes seriam a evolução natural da doença, seguindo este raciocínio.

A consistência dos dados do estudo, analisados após ajustes para as características de base e de fatores de risco tradicionais para doença cardiovascular, apontam um caminho a ser explorado. Provavelmente, outros estudos futuros tentarão avaliar melhor a associação evidenciada pelos autores, bem como sua relevância clínica.

Fórum

LEGENDA : Comentários 
                     Respostas
      

Nenhum comentário foi encontrado.
Desenvolvido pela Diretoria de Tecnologia da SBC - Todos os Direitos Reservados
© Copyright 2009 | Sociedade Brasileira De Cardiologia | Tecnologia@cardiol.br