Coleções Clínicas - Insuficiência Cardíaca
 

Uso de trimetazidina em Pacientes com Insuficiência Cardíaca

Autora: Dra. Mônica Samuel Avila

Referência: Lei Zhang, Yizhou Lu, Hong Jiang, Liming Zhang, Aijun Sun, Yunzeng Zou, and Junbo Ge. Additional Use of Trimetazidine in Patients With Chronic Heart Failure A Meta-Analysis J. Am. Coll. Cardiol. 2012;59;913-922.

Resumo: Metanálise que demonstrou que o uso adicional da trimetazidina em pacientes com insuficiência cardíaca (IC) pode diminuir o número de hospitalizações, melhorar os sintomas e a função cardíaca.

Método: Foi realizada uma busca na literatura médica por estudos nos quais pacientes com IC foram randomizados para receber a trimetazidina (TMZ) ou placebo. Excluídos os estudos em que o seguimento foi menor do que 4 semanas, em que não se conseguiu todos os dados ou naqueles com altas taxas de crossover.

Resultados: Foram considerados 499 estudos e incluídos 16 na análise final. Desses, 459 pacientes foram randomizados para receber TMZ e 425 no grupo placebo. Todos os pacientes apresentavam função ventricular reduzida.

• Não houve diferença na mortalidade por qualquer causa quando os grupos foram comparados (p=0,27).
• O grupo TMZ necessitou de menos hospitalizações por qualquer causa em relação ao grupo placebo (RR 0,43, p=0,03).
• Também foi visto que o uso adicional da TMZ foi superior ao placebo em termos de melhora da função ventricular (diferença de média ponderada: 6,46%, p< 0,0001). Além disso, a TMZ foi similar em reduzir o diâmetro diastólico e sistólico do ventrículo esquerdo (p<0,0001) e volume sistólico de VE (p= 0,02).
• Benefícios adicionais da TMZ foram demonstrados na melhora da classe funcional através da NYHA (p=0,0003) e tempo total de exercício (p, 0,0001).
• Uma sub-análise indicou que pacientes com insuficiência cardíaca de etiologia isquêmica com fração de ejeção > 30% foram os maiores beneficiados do uso da TMZ.
• A freqüência cardíaca nos pacientes que utilizaram TMZ foi menor em relação ao grupo placebo (diferença de média ponderada: - 2,62 batimentos /minuto, p=0,04), enquanto não houve diferença na pressão arterial sistólica de repouso (p=0,42) ou na diastólica (p=0,27).
• Em relação aos marcadores, os valores de BNP foram menores no grupo TMZ (diferença de média ponderada: -203,40, p< 0,0002), enquanto não houve diferença nos valores de proteína C reativa (p=0,10).

Conclusão e Perspectivas: A metanálise concluiu que apesar da trimetazidina não ter demonstrado benefício em relação a mortalidade, houve um efeito benéfico no aumento da fração de ejeção, no tempo de exercício, nas hospitalizações e nos diâmetros e volumes de VE, sem interferir na pressão arterial. Os efeitos anti-isquêmicos da trimetazidina estão bem estabelecidos e são mediados pela redução da oxidação de ácidos graxos e aumento da oxidação de glicose, resultando em produção de ATP. Levando em conta que a fisiopatologia da IC sugere uma falta de ATP levando a uma disfunção cardíaca, parece plausível que a TMZ possa aumentar o metabolismo das células cardíacas e contribuir para melhorar a função cardíaca e conseqüentemente os sintomas. Entretanto, os estudos ainda incluem poucos pacientes e possuem muitas diferenças entre si. Esse estudo justifica a realização de grandes ensaios clínicos para comprovar a eficácia da trimetazidina na IC e incluir o seu uso na prática clínica.

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