Coleções Clínicas - Insuficiência Cardíaca
 

Novas diretrizes europeias para o tratamento da insuficiência cardíaca: 10 pontos para lembrar!

Autor: Humberto Graner Moreira
Traduzido e adaptado de Jennifer Ann Cowger, M.D., M.S.

Referência: McMurray JJ, Adamopoulos S, Anker SD, et al. ESC Guidelines for the Diagnosis and Treatment of Acute and Chronic Heart Failure 2012: The Task Force for the Diagnosis and Treatment of Acute and Chronic Heart Failure 2012 of the European Society of Cardiology. Eur Heart J 2012;May 19:[Epub ahead of print].

Este é um resumo da nova diretriz de insuficiência cardíaca (IC) da European Society of Cardiology (ESC). A seguir estão dos 10 pontos principais desta atualização:

1. IC afeta 1-2% da população adulta nos países desenvolvidos. Estudos epidemiológicos e registros mais recentes apontam uma prevalência praticamente igual entre IC de fração de ejeção reduzida e preservada (50% cada).

2. A maioria dos estudos disponíveis focam no tratamento da IC com fração de ejeção reduzida. A terapia padrão em pacientes com IC com FE ≤ 40% inclui beta-bloqueadores, inibidores de inibidores da enzima conversora (IECA), ou bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA / naqueles com intolerância a IECA). Estas medicações devem ser tituladas para as doses máximas toleradas. Em pacientes com sintomas persistentes sobre e com FE ≤ 35%, um antagonista da aldosterona é recomendada em associação, desde que não haja contraindicações (Clearance de Creatinina < 30ml/min/1,73m² e potássio sérico > 5,0mEq/L).

3. A ivabradina é um inibidor dos canais If do nodo sinusal que pode ser adicionado à terapia padrão em pacientes com ritmo sinusal, FEVE ≤ 35%, classe funcional NYHA II-IV, e uma frequência cardíaca ≥ 70 bpm com dose máxima tolerada de beta-bloqueador, no intuito de reduzir hospitalizações por IC (Classe IIa, Nível de Evidência B). Pode também ser considerada em pacientes que não toleram o uso de betabloqueadores (Classe IIb, nível de evidência C).

4. Digoxina e /ou terapia combinada de hidralazina + nitratos podem ser consideradas para reduzir hospitalizações por IC em pacientes com FEVE ≤ 45% e doses máximas toleradas da terapia padrão (classe IIb, Nível de Evidência B). Diuréticos devem ser utilizados para o alívio dos quadros congestivos.

5. Não há nenhuma evidência que sustente a anticoagulação oral para reduzir a morbidade e mortalidade em pacientes com IC e ritmo sinusal. Em pacientes com fibrilação atrial, a anticoagulação deve ser guiada pelos escores de risco CHA2DS2-VASC (para tromboembolismo) e HAS-BLED (para hemorragia).

6. São terapias contra-indicadas devido ao risco de induziar descompensações da doença na IC sistólica (Recomendação Classe III):
• Tiazolidinedionas.
• Bloqueadores de canais de cálcio não-diidropiridínicos.
• Anti-inflamatórios não esteróides e inibidores da ciclooxigenase-2 (exceto AAS em baixa dose).
• Adição de um BRA para uso simultâneo com IECA ou inididores da aldosterona.

7. Cardioversores-desfibriladores implantáveis (CDI) para prevenção primária de morte súbita são recomendados em pacientes com classe funcional NYHA II-III e FE ≤ 35%, com pelo menos 3 meses de tratamento clínico otimizado e com expectativa de vida > 1 ano. Para pacientes com cardiomiopatia isquêmica, o implante ocorrer após 40 dias do infarto agudo do miocárdio (Classe I, Nível de evidência A). Terapia com CDI não está indicada em IC NYHA IV refratária, naqueles com um dispositivo de assistência ventricular, ou em casos de IC após o transplante cardíaco.

8. Terapia de ressincronização cardíaca (TRC) é recomendada para reduzir o risco de hospitalização/morte em pacientes ambulatoriais com IC classe III - IV e que estão em ritmo sinusal, com bloqueio ramo esquerdo com QRS ≥ 120 ms e FE ≤ 35%. TRC pode ser considerada em pacientes semelhantes com QRS alargado (≥ 150 ms) que não têm uma morfologia de BRE (Classe IIa, Nível de evidência A).

9. Em pacientes com classe funcional II, a TRC é recomendada para reduzir morte ou hospitalização por IC naqueles com FE ≤ 30%, morfologia de BRE e QRS ≥ 130ms (Classe I, Nível de evidência A). TRC pode ser considerada em pacientes semelhantes com QRS alargado (≥ 150 ms) que não possuem morfologia de BRE (Classe IIb, Nível de evidência A).

10. Na IC com fração de ejeção preservada, nenhuma terapia se mostrou eficaz em reduzir a morbidade ou mortalidade. A terapêutica deve ter como objetivo tratar as potenciais causas subjacentes (isquemia miocárdica, hipertensão, infarto do miocárdio, taquicardias). Diuréticos podem ser utilizados para corrigir a retenção de líquidos e congestão.

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