Coleções Clínicas - Insuficiência Cardíaca
 

Associação entre glicemia sérica elevada e mortalidade na insuficiência cardíaca aguda

Autora: Dra. Monica Samuel Avila

Referência: Alexandre Mebazaa, Etienne Gayat, Johan Lassus, et al. Association Between Elevated Blood Glucose and Outcome in Acute Heart Failure. Results From an International Observational Cohort. JACC Vol. 61, No. 8, 2013

Resumo: O estudo avaliou os níveis de glicemia em pacientes com insuficiência cardíaca (IC) aguda e os correlacionou com a mortalidade em 30 dias e concluiu que a glicemia é um forte marcador prognóstico na IC aguda.

Introdução: Os marcadores prognósticos na IC aguda geralmente estão relacionados a fatores cardiovasculares como hipotensão, disfunção ventricular e elevação de biomarcadores de injúria miocárdica, entre outros. As alterações nos níveis glicêmicos estão relacionadas com maior mortalidade no infarto agudo do miocárdio, porém sua correlação prognóstica não foi anda avaliada na IC aguda.

Objetivo: Avaliar a associação entre alterações da glicemia com mortalidade em 30 dias em pacientes internados com IC aguda.

Métodos: Estudo multicêntrico internacional, que incluiu pacientes admitidos na sala de emergência por IC aguda. Eram elegíveis pacientes com primeira descompensação da IC ou com IC crônica com agudização do quadro. Estes pacientes tiveram vários dados avaliados: glicemia sérica, medidas antropométricas, comorbidades, como diabetes e uso de hipoglicemiantes, avaliação ecocardiográfica e taxa de filtração ventricular. O desfecho primário foi mortalidade por qualquer causa em 30 dias.

Resultados: Foram avaliados 8.213 pacientes e incluídos 6.212, com média de idade de 74,1 (65 – 80) anos. Cerca de metade dos pacientes era do sexo masculino (52,4%) e 40% tinha antecedente de diabetes. Metade dos pacientes se apresentou com primeira descompensação da IC e a fração de ejeção média foi de 40%. Os pacientes foram divididos em dois grupos: glicemia elevada à admissão (2.821) e glicemia normal (3.391). A média da glicemia foi de 135 mg/dL.
Ocorreram 618 (10%) óbitos em 30 dias. A média da glicemia entre os pacientes que foram a óbito era maior que a média daqueles sobreviveram (8,9 [6,7 - 13,2] vs 7,4 [5,8 -10,3] mmol/l; p < 0,0001). Após ajuste, a glicemia foi um fator de risco para mortalidade em 30 dias (RR 2,19; IC 95%: 1,68 – 2,83; p<0,001).
O risco associado com a glicemia aumentada parece ser consistente em pacientes com fração de ejeção preservada (RR 5,41; IC 95%: 2,44 – 12; p < 0,0001) e disfunção ventricular (RR 2,37; IC 95%: 1,57 – 3,59; p < 0,0001).

Conclusão e Perspectiva: O estudo concluiu que níveis de glicemia alterados foram encontrados em mais de metade dos pacientes com IC aguda e representaram um importante fator prognóstico para mortalidade em 30 dias. O risco esteve associado em pacientes com e sem diagnóstico prévio de diabetes. O efeito negativo da hiperglicemia já havia sido avaliado em outros estados críticos como infarto, doenças pulmonares e AVC, entre outros, porém sua correlação prognóstica na IC aguda ainda era incerta. A hiperglicemia pode, diretamente, levar a injúria miocárdica por diversos mecanismos já descritos na literatura, o que poderia explicar os resultados do estudo. Entretanto, os aumentos dos níveis de glicose na IC aguda podem ser uma conseqüência do estresse, devido à ativação do sistema nervoso simpático, que leva ao aumento de cortisol e, consequentemente, à hiperglicemia. Os mecanismos através dos quais a hiperglicemia se correlaciona a aumento de mortalidade na IC aguda ainda não puderam ser esclarecidos neste estudo, por isso novas pesquisas devem ser realizadas a fim de entendermos melhor a fisiopatolodia de tal correlação.

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